A compra de um imóvel representa, para a maioria das famílias brasileiras, a maior conquista patrimonial da vida. No entanto, muitos proprietários acreditam que, ao pagar pelo imóvel e assinar um contrato, já estão plenamente protegidos. A realidade jurídica é diferente.
Regularização de imóveis é o conjunto de procedimentos legais e administrativos necessários para que a propriedade esteja formalmente reconhecida perante o Cartório de Registro de Imóveis e demais órgãos competentes. Em outras palavras: é o que transforma posse em propriedade legal.
O que significa, na prática, ter um imóvel regular?
Um imóvel regular é aquele que:
- Possui matrícula individualizada
- Está devidamente registrado em cartório
- Tem a construção aprovada e averbada
- Está em conformidade com a legislação municipal
- Não possui pendências judiciais ou fiscais
Sem esses requisitos, o imóvel pode ser considerado irregular — mesmo que esteja ocupado há décadas.
Escritura não é sinônimo de propriedade
Um dos maiores equívocos no mercado imobiliário é acreditar que a escritura pública garante a titularidade do imóvel.
A escritura é apenas uma etapa. A propriedade só é efetivamente transferida após o registro na matrícula do imóvel, conforme estabelece o Código Civil e os princípios constitucionais previstos na Constituição Federal de 1988.
Sem registro, juridicamente, o imóvel ainda pertence ao antigo proprietário.
Por que a regularização é tão importante?
1. Segurança jurídica
A regularização evita disputas futuras, inventários complexos e problemas em partilhas.
2. Valorização patrimonial
Imóveis regularizados podem valer de 20% a 50% mais no mercado, além de serem mais atrativos para compradores e investidores.
3. Possibilidade de financiamento
Instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, exigem matrícula regularizada para liberar crédito imobiliário.
4. Facilidade na venda
Imóveis irregulares reduzem drasticamente o número de interessados e aumentam o tempo de negociação.
5. Acesso a benefícios públicos
Regularização permite emissão de alvarás, habite-se, desmembramento, averbação de construção e outros procedimentos administrativos.
Quais situações mais geram irregularidade?
- Contrato de gaveta
- Imóvel herdado sem inventário
- Construção não averbada
- Loteamento irregular
- Divergência entre área construída e matrícula
Essas situações são mais comuns do que se imagina — e muitas vezes passam anos sem que o proprietário perceba o risco envolvido.
Regularizar é custo ou investimento?
Do ponto de vista técnico e mercadológico, trata-se de investimento patrimonial.
A regularização:
- Reduz risco jurídico
- Aumenta liquidez
- Amplia acesso a crédito
- Protege herdeiros
Em um mercado cada vez mais profissionalizado, imóveis irregulares tendem a perder competitividade.
Regularização de imóveis não é apenas burocracia. É a formalização de um direito. É o que garante que o patrimônio conquistado com esforço esteja protegido perante a lei e valorizado no mercado.
Se você tem dúvidas sobre a situação do seu imóvel, o primeiro passo é consultar a matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis da sua cidade e verificar se todas as informações estão corretas.
Regularizar hoje pode evitar grandes prejuízos amanhã.
